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Cotidiano

Paraíba é o estado com maior crescimento nos casos de estupro de vulnerável no Brasil

Publicado em 02/08/2026 às 08:37

A Paraíba registrou, no ano de 2025, um aumento de aproximadamente 22,1% no número de casos de estupro de vulnerável em relação ao ano anterior. Foram 1.078 ocorrências, de acordo com os dados divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 e revisados pelo Portal Correio.

 

Em termos práticos, foram cerca de três casos de estupro de vulnerável por dia no estado.

 

A taxa a cada 100 mil habitantes também apresentou um crescimento de 21,5% na Paraíba, em desacordo com os dados nacionais, que apresentaram uma queda de cerca de 5,2%, se tornando a unidade federativa com a maior alta em todo o Brasil.

 

O estado ainda vai na contramão da Região Nordeste, que apresentou uma redução de 3,5% em comparação a 2024.

 

O que configura estupro de vulnerável?

O crime de estupro de vulnerável enquadra quaisquer comportamentos sexuais ilícitos contra menores de 14 anos, pessoas que tenham algum tipo de deficiência mental que afete o discernimento ou em situação na qual a vítima não possa oferecer resistência.

 

A lei entende que qualquer ato libidinoso, resultando ou não na consumação de uma conjunção carnal, praticado contra vítimas que estejam nessas condições de vulnerabilidade já configura o crime.

 

Ainda segundo anuário, no Distrito Federal, é tido como crime apenas os atos envolvendo menores de 14 anos, não considerando as demais situações de vulnerabilidades.

 

Perfil das vítimas no Brasil

A análise dos dados fornecidos no registro das ocorrências ainda permite traçar um padrão em relação a quantidade de casos por idade, sexo e raça/cor da vítima.

 

Do total de casos de estupro de vulnerável contabilizados no país em 2025, 85,6% das vítimas eram do sexo feminino. Na Paraíba, foram 959 registros de vítimas mulheres, o que representa cerca de 89% das ocorrências.

 

Já levando como métrica a faixa etária, 42,5% dos casos tiveram como vítima jovens entre 10 e 13 anos, formando o maior público-alvo dos agressores. O segundo maior índice é o de ocorrências contra crianças de 5 a 9 anos, que apresenta uma porcentagem de 21,9% dos casos.

 

Quando o recorte considerado é o perfil racial, os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública agrupam as ocorrências de estupro e estupro de vulnerável. Nesse cenário combinado, 57,1% das vítimas no país são negras. Em 41,4% dos casos, o crime é contra pessoas brancas.

 

Circunstâncias da agressão

Através das estatísticas, também é possível determinar a relação da vítima com o autor e o local onde o crime ocorreu.

 

Nesta seção, os dados se mostram ainda mais alarmantes. Isto porque, em 59,2% das ocorrências contra menores de 14 anos, o agressor é algum familiar da vítima. Outros 36,9% registram o número de casos em que o autor é algum outro conhecido.

 

Apenas em 3,9% dos casos, o agressor é desconhecido.

 

O local de ocorrência do crime é, em 64,9% dos casos, a própria residência da vítima, em contraste com a porcentagem de ocorrências em via pública, que é de apenas 6,5%.

 

*Os dados consideram apenas os casos em que a respectiva informação foi informada nos registros oficiais.